Quem sou?
Normalmente para responder a esse tipo de pergunta não costumamos titubear. Respondemos: sou vendedor, sou pedreiro, sou enfermeiro, etc..., ou seja, mencionamos nossa ocupação profissional. Pode até mesmo parecer irrelevante, mas isso mostra muito bem a forma pela qual encaramos o mundo e nossa posição de inserção nele. Nos preocupamos imediatamente em demonstrar nossa qualificação profissional e a forma pela qual somos úteis à sociedade à qual pertencemos. Sem dúvida isso é importante aos indivíduos de uma espécie tão intensamente social como a nossa, mas será realmente que revela quem nós efetivamente somos? Como disse em postagem anterior, todos usamos "máscaras" que nos permitam proteger nossa "intimidade" de críticas indesejáveis entre outras coisas, portanto quando somos inquiridos a responder sobre quem nós somos, imediatamente respondemos aquilo que consideramos que seja o mais proveitoso para nós, sob vários pontos de vista. Claro que é um processo majoritariamente inconsciente, com níveis concientes variáveis de indivíduo para indivíduo, mas não deixa de ser parte integrante de nossa máscara social, aquela que construimos dia a dia no intuito de facilitar nossa sobrevivência. Ela é por sí só uma estrutura ambígua, meio verdadeira e meio falsa. Verdadeira porque revela partes de nosso incosnciente e dos nossos anseios, e falsa porque busca tornar realidade uma imagem fantasiosa que gostaríamos que os outros percebessem quando fôssemos observados.
Isso é negativo ou positivo? Depende, entre outras coisas, da forma como lidamos com isso. Se acabamos acreditando em nossas próprias respostas, e elas conseguem se aproximar razoavelmente bem da realidade, e isso nos leva a uma existência mais harmoniosa, ótimo, o saldo é positivo. Se todavia, nossa realidade em nada se assemelha com nossa resposta, se somos infelizes, ou o que é ainda pior, se geramos infelicidade ao nosso redor, então o saldo é altamente negativo.
Então poderíamos nos perguntar: "o que fazer então?". A resposta é extraordináriamente simples, embora de execução nem sempre fácil: "descubra quem você realmente é e, se considerar necessário, modifique-se".
Então vem a pergunta crucial: "como efetuar essa mudança?". Essa é uma resposta complexa, mesmo para os mais sábios filósofos. Não há um caminho estabelecido para essa mudança, não há receitas, não há fórmulas, cada indivíduo deve encontar seu próprio caminho e efetuar sua caminhada no ritmo que puder e lhe convier, pois não há dois indivíduos iguais no universo.
As descobertas sobre sí próprio demandam tempo e esforço de auto-análise e frequentemente podem ser auxiliadas por profissionais competentes, mas de nada funcionam sem a participação ativa do envolvido. Requerem antes de tudo coragem e honestidade para encarar tanto as descobertas agradáveis quanto as desagradáveis, e encará-las de frente de forma a poder alterar aquilo que julgar necessário.
"E porque fazer tudo isso? Não seria mais fácil esquecer toda essa estória maluca?" Sem dúvida alguma esta é a alternativa mais fácil e frequentemente é a ela que recorremos, simplesmente deixamos tudo como está para ver como é que fica. Afinal é um direito sagrado de cada um levar a vida da forma que achar melhor, desde que não venha a atrapalhar os outros à sua volta. Se você se sente bem assim, se é feliz assim, se não gera infelicidade à sua volta agindo assim, meus parabéns, prossiga, você é uma criatura iluminada, e nem precisa buscar mais nada, já chegou onde deveria, à harmonia. Do contrário você deveria refletir um pouco mais antes de fechar os olhos e ouvidos às informações que obteve aqui. Talvez este seja o primeiro passo para você encontrar um sentido para sua vida ou modo de construir uma existência mais harmoniosa e feliz. A vida é uma oportunidade ímpar de aprendizado e crescimento, muito mais que uma louca corrida lutando pela sobrevivência. Mesmo que você não creia em vida após a morte, em espiritualidade, em Deus, por que não procurar pela felicidade, paz e harmonia agora? Se dinheiro, poder e status não são capazes de garantir paz interior (como podemos ver diariamente através dos mais diversos meios de informação), então talvez a resposta esteja dentro de você, esperando apenas que pare e a descubra.
Obrigado pela atenção.
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
terça-feira, 11 de setembro de 2007
MÁSCARAS
Uma das coisas mais freqüentes é nos depararmos em determinado momento de nossas vidas com uma descoberta surpreendente e ao mesmo tempo perturbadora: a de que o mundo nos vê diferentemente da forma como imaginamos ser. Isso acontece com quase todo mundo que pare ao mesmo por alguns instantes para pensar a respeito de si próprio. Claro que isso não é nenhuma novidade para os especialistas da área psicológica ou psquiátrica, porém o é para a vasta maioria da população. A razão disto é que nós, seres humanos, somos criaturas sociais, não conseguimos viver sem estarmos inseridos em uma coletividade, mas isso implica em certas regras que devem ser seguidas pelos membros da coletividade a fim de permitir a coesão deste grupo de pessoas de forma mais ou menos organizada. Essas regras (ou normas de conduta) frequentemente não são agradáveis do ponto de vista individual (embora o sejam do ponto de vista coletivo) então, até como estratégia de sobrevivência, buscamos nos adequar a esse conjunto de normas, mesmo que elas não façam muito sentido para nós, ou seja, obedecemos mesmo que a contragosto (pelo menos a vasta maioria das pessoas assim procede). Mas não quer dizer que concordamos com tudo o que nos é imposto. Disso resulta um comportamento de certa forma dialético (ou contraditório, em termos mais gerais), isto é fazemos algo, mesmo que contrário às nossas vontades. Daí resulta que já não somos mais uma única pessoa, somos um ser individual convivendo com um ser coletivo dentro de uma mesma mente. No dia a dia é normal não expressarmos exatamente o que sentimos, afinal assim somos educados desde crianças, para refrear nossos ímpetos e adequar nosso comportamento ao que é socialmente aceitável. Essa é a mensagem que os pais passam (ou ao menos deveriam passar) aos filhos durante o processo de educação. Mas o que ocorre de forma totalmente natural é que desenvolvemos uma personalidade fragmentada, no sentido de que na realidade somos alguém diferente daquele que aparentamos. Não gostamos que os outros (pessoas) entrem em nossa intimidade e descubram nossas fraquezas, receios, aflições, sonhos, esperanças e desilusões. Enterramos nosso eu interior tão bem que quando precisamos acessá-lo de forma consciente ( para resolver algum problema) somos obrigados a fazer uso dos serviços de um especialista no assunto (psicólogo ou psiquiatra normalmente). Essa é a razão da teoria das máscaras, que os especialistas tanto mencionam. Usamos máscaras para proteger nosso interior, nos resguardarmos de críticas dolorosas, opiniões que não queremos ouvir. É um mecanismo de auto-proteção. Só que nesse processo de fechamento sobre sí próprio, acabamos por nos tornarmos estranhos a nós mesmos. Raros de nós conhecem seu próprio interior. E está aí uma das maiores razões de infortúnios do ser humano, desconhecer quem é. Angústias, insatisfações, depressões e outros problemas podem (ressalto, podem) ter aí suas origens. Porisso as doutrinas orientais salientam com tanta veemência a importância da meditação como caminho de resolução de problemas. A meditação é um dos mecanismo através do qual as pessoas podem lentamente se redescobrir, despir-se dos disfarces que usam no quotidiano e muitas vezes encontrar a origem de suas aflições, de seus sentimentos desencontrados. Os grandes mestre orientais sempre pregaram a busca pelo auto-conhecimento como forma evolução espiritual. Mas não apenas eles, também os filósofos já da Grécia antiga afirmavam a máxima "conhece a ti mesmo", e também as religiões ocidentais, ao pregarem o recolhimento e oração como forma de enfrentar os problemas mais aflitivos (neste sentido, a criatura em oração se assemelharia a alguém em meditação e estaria aberto a descobertas de foro íntimo, mas de forma alguma vamos nos imiscuir no âmbito religioso de cada um).
Então, após essas palavras, que a alguns podem parecer muitas, fica evidente que o primeiro passo em busca de uma melhor condição de vida é descobrir quem realmente somos, e não quem aparentamos ser ou que desejamos aparentar à sociedade. A descoberta às vezes pode até mesmo ser dolorosa, se constatarmos que somos muito diferentes daquilo que gostaríamos, porém será muito salutar e importantíssimo nos próximos passos em busca de nosso verdadeiro EU e de uma melhor qualidade de vida.
Obrigado pela atenção.
Então, após essas palavras, que a alguns podem parecer muitas, fica evidente que o primeiro passo em busca de uma melhor condição de vida é descobrir quem realmente somos, e não quem aparentamos ser ou que desejamos aparentar à sociedade. A descoberta às vezes pode até mesmo ser dolorosa, se constatarmos que somos muito diferentes daquilo que gostaríamos, porém será muito salutar e importantíssimo nos próximos passos em busca de nosso verdadeiro EU e de uma melhor qualidade de vida.
Obrigado pela atenção.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
O ESTRANHO NO ESPELHO
Quinta-feira, 06/09/2007.
Hoje me senti um pouco como o grande Carlos Drummond de Andrade. Olhei ao espelho e me surpreendi.
"Quem é esse estranho, que me olha no espelho, tão mais velho do que eu?"
Mais cansado e abatido, talvez mais sábio, ou apenas mais alguém a começar um novo dia?
Quem é esse, tão parecido e tão diferente?
Serei eu?
Ou será outro?
Ou serão ambos?
Quem eu fui ou quem sou?
Me pergunto tudo isso, enquanto olho estupafato e reconheço os traços familiares, e outros nem tanto assim.
O tempo passou, e eu nada fiz. Quarenta e dois anos estéreis? Morrerei em pouco e só haverá cinzas? A existência terá sido em vão? Abaixo a cabeça desanimado e me dou conta de quem sou. Não pode ser. Vamos dar um jeito nisso. E já!
Olhar o céu, ver o azul com outros olhos...Ir ao jardim, ver a beleza sutil de uma das roseiras com seus primeiros botões de setembro a desabrochar... afagar meus cães, que correm a pedir carinho...O tempo passou e eu não me dei conta disso, correndo, correndo sempre, pensando "amanhã terei tempo para isso", "amanhã farei aquilo outro". O amanhã chegou e nada fiz, vivi para o futuro e esqueci do presente...
Chegou a hora de mudar, embora tardiamente mas ainda em tempo.
Tomo o banho com alegria, visto-me entusiasmado, tomo meu café e pego a estrada para ir ao trabalho, porque finalmente, hoje principalmente, eu estou vivo e sei disso...
EU NASCI NOVAMENTE.
Hoje me senti um pouco como o grande Carlos Drummond de Andrade. Olhei ao espelho e me surpreendi.
"Quem é esse estranho, que me olha no espelho, tão mais velho do que eu?"
Mais cansado e abatido, talvez mais sábio, ou apenas mais alguém a começar um novo dia?
Quem é esse, tão parecido e tão diferente?
Serei eu?
Ou será outro?
Ou serão ambos?
Quem eu fui ou quem sou?
Me pergunto tudo isso, enquanto olho estupafato e reconheço os traços familiares, e outros nem tanto assim.
O tempo passou, e eu nada fiz. Quarenta e dois anos estéreis? Morrerei em pouco e só haverá cinzas? A existência terá sido em vão? Abaixo a cabeça desanimado e me dou conta de quem sou. Não pode ser. Vamos dar um jeito nisso. E já!
Olhar o céu, ver o azul com outros olhos...Ir ao jardim, ver a beleza sutil de uma das roseiras com seus primeiros botões de setembro a desabrochar... afagar meus cães, que correm a pedir carinho...O tempo passou e eu não me dei conta disso, correndo, correndo sempre, pensando "amanhã terei tempo para isso", "amanhã farei aquilo outro". O amanhã chegou e nada fiz, vivi para o futuro e esqueci do presente...
Chegou a hora de mudar, embora tardiamente mas ainda em tempo.
Tomo o banho com alegria, visto-me entusiasmado, tomo meu café e pego a estrada para ir ao trabalho, porque finalmente, hoje principalmente, eu estou vivo e sei disso...
EU NASCI NOVAMENTE.
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